Uma orientação da Diretoria de Saúde do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) tem gerado preocupação entre a categoria. Segundo o entendimento repassado pelo setor, trabalhadoras e trabalhadores afastados por até cinco dias poderiam continuar contribuindo com as atividades por meio do trabalho remoto.
O SINJUSC considera a medida arbitrária, especialmente porque ocorre após o Sindicato apresentar ao Tribunal os resultados da Pesquisa de Saúde, que apontam elevados índices de adoecimento. Um dos dados mais preocupantes revela justamente a pressão enfrentada pela categoria para não interromper o trabalho, mesmo com a saúde debilitada: mais de 50% das pessoas que responderam afirmam já ter trabalhado enquanto estavam doentes.
Esse fenômeno é conhecido como presenteísmo e ocorre quando a trabalhadora ou o trabalhador permanece em atividade apesar de necessitar de afastamento para se cuidar. Para o Sindicato, a orientação reforça uma cultura organizacional que prioriza metas às custas de quem adoece produzindo.
Os impactos dessa cultura produtivista aparecem também nos demais resultados da pesquisa. Entre os participantes, 61,3% afirmaram que o trabalho contribui para desencadear sinais e sintomas de adoecimento. Apesar disso, apenas 25% informaram ter se afastado para tratamento médico, demonstrando que uma parcela significativa segue trabalhando mesmo diante de condições que afetam sua saúde física e mental.
A orientação adotada pelo TJSC também contrasta com o discurso do atual presidente do Tribunal, o desembargador Rubens Schulz. Durante sua posse, em fevereiro deste ano, ele afirmou que “produtividade alguma vale a pena se custar adoecimento”. Para o SINJUSC, esse princípio deve se refletir concretamente na organização do trabalho e nas políticas de saúde voltadas à categoria.
Para a diretoria do Sindicato, “o direito ao afastamento médico não pode ser relativizado por metas ou demandas de produtividade. Quem está doente, precisa ter garantidas as condições necessárias para sua recuperação, sem receio de cobranças ou prejuízos profissionais. Nenhuma meta vale a saúde do trabalhador e da trabalhadora”.
Diante disso, o SINJUSC orienta trabalhadoras e trabalhadores que se sintam pressionados a trabalhar durante períodos de afastamento médico a procurar a entidade para receber orientação e apoio. Os canais oficiais de atendimento são o Conecte, pelo WhatsApp (48) 9642-6874, e o e-mail sinjusc@sinjusc.org.br.
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