Do total de pessoas que responderam a pergunta da pesquisa de saúde do SINJUSC-NEPPOT-UFSC sobre a realização de algum tipo de tratamento relacionado à saúde mental, 49,49% afirmaram que fazem tratamento, 46,51% disseram que não e 4% preferiram não responder. Entre quem realiza algum tipo de tratamento, 68,59% utilizam medicação e 65,85% fazem psicoterapia. Entre todos os que responderam, 34,81% combinam essas duas medidas de cuidado.
Para o psicólogo do SINJUSC, Mateus Graosque, “o adoecimento de trabalhadoras e trabalhadores do Judiciário catarinense não pode ser compreendido como fragilidade individual, mas como reflexo direto do modelo de trabalho adotado. A gestão pelo medo, o assédio moral, a exigência de produtividade a qualquer custo e o isolamento configuram as causas estruturais do problema”.
Além disso, a sobrecarga de trabalho é intensificada pela disfunção: servidores de nível fundamental e médio assumem, de forma recorrente, tarefas e responsabilidades complexas, típicas de cargos de nível superior, sem que isso se traduza na remuneração. Essa disparidade salarial evidencia a urgência de uma política de gestão que reconheça, de forma justa, o papel essencial desempenhado por cada trabalhador e trabalhadora do Judiciário catarinense. Além de debater a sobrecarga trabalhando os dados da pesquisas nas comarcas, o SINJUSC apontou caminhos é a massificação da gans e a implementação do adicional de qualificação com cumulatividade para dirimir a disfunção e valorizar a categoria.
Diante desse cenário, reforça-se a importância da mobilização da categoria. Está convocada assembleia para o dia 07 de maio, às 14h, em Florianópolis, de forma presencial. A meta é garantir a participação de, pelo menos, um trabalhador ou trabalhadora por setor de comarca, fortalecendo a representatividade e o debate coletivo. As inscrições já estão abertas, faça a sua aqui.
Por isso, a diretoria do SINJUSC deve ampliar mobilizações pela redução da jornada, pela suspensão dos logins de acesso aos sistemas fora do horário de expediente, pela restrição da comunicação entre chefia e subordinado ao horário de expediente e por meio da ferramenta “teams”, pela participação do SINJUSC em Processos Administrativos Disciplinares (PAD) e pelo aumento de vagas no TJSC, conforme indicado pela Plenária Virtual de Saúde realizada no dia 26 de fevereiro deste ano.
Realizada a partir da parceria entre o Fazendo Escola-SINJUSC e o Núcleo de Estudos de Processos Psicossociais e de Saúde nas Organizações e no Trabalho (Neppot-UFSC), a pesquisa intitulada “Condições de trabalho e seus impactos psicossociais em servidores do Poder Judiciário de Santa Catarina” foi realizada de agosto de 2024 a dezembro de 2025. O estudo foi feito a partir de 945 questionários respondidos pela categoria via internet.
Leia também:
Hora extra não remunerada é uma realidade para 64% no TJSC
Maioria dos afastamentos no TJSC é causado por adoecimento psicológico
Pesquisa da UFSC revela Judiciário adoecido por sobrecarga e falta de pessoal

Não bastasse a pressão das metas e o não pagamento da gratificação correta a todos, ainda temos que ler aqui no site, comentários de alguns “colegas” nos mandando fazer o concurso. Nós já fizemos o concurso, somos todos concursados aqui, ou alguém não é? Sou TJA há 20 anos e sempre executei as minhas atividades com excelência. Tenho várias especializações, como muitos aqui. No momento faço trabalho de gabinete, sem gratificação. Não há gratificação para todos. Assim como eu, devem ter centenas pelo estado. Fico contente que o sindicato está batendo nessa tecla! E sobre os remédios, sim, tomo medicação controlada e faço terapia.