De acordo com diretores e representantes regionais do SINJUSC, as cartilhas “Impactada Mente”, elaboradas pelo Fazendo Escola a partir da pesquisa de saúde SINJUSC-Neppot-UFSC, estão sendo bem recebidas pela categoria nos locais de trabalho. A diretora Daniele Burigo, que distribuiu e debateu o material com colegas da Unidade Presidente Coutinho em Florianópolis, relatou que “o material foi muito bem aceito, acharam bem interessante, divertido e, ao mesmo tempo, uma maneira séria de tratar o assunto”.
Ainda de acordo com Daniele, “a questão do desligamento foi muito comentada, mas também a sensação de serem números que, na verdade, podem até ser muito maiores do que foi mostrado ali na pesquisa. Porque muita gente não tira atestado médico, muita gente trabalha doente, então esses números ainda podem ser maiores pelo debate que a gente fez aqui”.
As cartilhas também já foram distribuídas nas secretarias do Tribunal de Justiça, com boa receptividade. Segundo Francys Schroeder Brunnquell, que é representante regional do SINJUSC, “o material já chamou atenção pela qualidade, foi elogiado por ser bem produzido e visualmente impactante”.
“Algo que marcou bastante foi a reação de alguns servidores mais antigos. Teve gente que está há anos no Judiciário e comentou que é a primeira vez que vê a saúde mental sendo tratada de forma aberta e estruturada. Alguns disseram que essa discussão já era necessária há muito tempo. O que mais chamou minha atenção foi o reconhecimento de que o tema precisa ser enfrentado. O material está ajudando a abrir essa porta” – completou Francys.
Segundo Elisa da Silva que também é representante regional do SINJUSC na capital, “foi bem unânime, o pessoal achou muito legal o material. Gostaram dos adesivos, eu colei meus adesivos no monitor, teve gente que colou também. Então, o material foi muito bem produzido. Também achei importante a metodologia da pesquisa estar na contracapa, lá no final, para mostrar como os números foram coletados. Isso dá muita substância ao que a gente está falando.”
As informações da cartilha fazem parte do resultado de pesquisa científica realizada em parceria com Núcleo de Estudos de Processos Psicossociais e de Saúde nas Organizações e no Trabalho (Neppot-UFSC) e apontam necessidade de organização do trabalho no TJSC. O material foi distribuído para os representantes regionais e está sendo entregue para filiados e filiadas nas comarcas do Estado. Mais informações, leia também “Conheça as sensações que passaram a habitar dentro de você por causa do trabalho no TJSC”.

Há alguns anos, trabalhar aqui era motivo de orgulho. Hoje, é fonte de constrangimento. É paradoxal — e profundamente simbólico — que, na casa que deveria encarnar a Justiça, ela falte justamente para aqueles que a sustentam diariamente: os servidores.
Não há segurança jurídica nem para quem opera o próprio sistema. Servidores são obrigados a judicializar direitos básicos contra a própria instituição que deveria garanti-los. Isso não é apenas incoerente — é institucionalmente alarmante. Ainda mais quando se trata de uma administração composta por membros com a mesma formação jurídica e aprovados nos mesmos rigorosos concursos daqueles que julgam.
O que se vê, na prática, é um abismo entre discurso e realidade.
Sinto-me desvalorizada, invisibilizada e, sobretudo, descartável. O não pagamento da GANS — apesar do direito evidente — não é apenas uma questão financeira, mas um símbolo claro de negligência institucional. É a materialização de um sistema que ignora seus próprios fundamentos quando se trata de seus servidores.
Hoje, não há mais sentimento de pertencimento. Há distanciamento, frustração e desgaste. E a percepção, cada vez mais concreta, de que, diante de qualquer oportunidade minimamente mais justa, a saída não será uma dúvida — será uma decisão imediata.
Nossa, achei que só eu pensasse assim.
Há uns anos atrás eu era feliz em trabalhar aqui. Agora me sinto desvalorizada, pq vejo que o TJSC não reconhece os Tjas como deveria. Não recebo a GANS e isso causa grande frustração, pois eu tenho direito a receber. Sentimento de desvalorização e não-pertencimento.
Me solidarizo com você, conseguiram dividir os TJA em 3, os com GNS, com Gans, e os sem nada !