Em greve desde o dia 23 de abril, trabalhadores e trabalhadoras do serviço público municipal de Florianópolis têm feito passeatas e manifestações cada vez maiores no centro da cidade com o objetivo de fazer o prefeito Topázio Neto negociar a data-base da categoria. De acordo com dirigentes que fazem parte do Fórum Catarinense de Defesa do Serviço Público, que reúne cerca de 30 entidades dos serviços públicos municipais, “Topázio não pode tratar quem cuida da população de Floripa dessa maneira. Quem nos atende nos postos de saúde, creches e escolas municipais, merece mais respeito”.
Quem mais sofre com a indefinição é a população que apesar da suspensão dos serviços, tem apoiado a greve dos municipários. De acordo com Marise Lucrécia de Jesus, trabalhadora de serviços gerais e mãe do Lucas, 3 anos, matriculado na creche Almirante Lucas Alexandre Boiteux, “a gente acaba tendo que se virar, né? Levar o menino para o trabalho e ele perde aulas e tudo. Mas também é importante que o pessoal da creche tenha um salário decente, né? São elas que cuidam do filho da gente”.
Já para a socióloga, Camila Betoni, mãe da Rita, de um ano, que é atendida na mesma creche, “a vida dos pais e mães trabalhadoras fica muito difícil com a greve, já que a creche é nossa maior rede de apoio. Mas quem consegue acompanhar o cotidiano dos filhos nessas unidades conhece a dedicação das profissionais da educação e sabe que elas precisam ser mais valorizadas. A culpa da greve é do Topázio que tem atuado com descaso, precarizando o serviço público. Os servidores e servidoras não são nossos inimigos”.
De acordo com informações do site do Sintrasem, sindicato que representa os municipários de Florianópolis, mesmo com margem na Lei de Responsabilidade Fiscal e dinheiro em caixa, o prefeito Topázio nega a maioria das reivindicações. Não há proposta para o cumprimento da lei federal que reconhece as auxiliares de sala no magistério e nem para a revogação das portarias que atacam a Educação. Nada para a recomposição salarial dos técnicos de enfermagem. Nada sobre o piso dos ACS e ACE. Também não há proposta para realização de concurso público, chamamento de aprovados, fim das terceirizações, defesa da previdência pública e redução da jornada sem corte salarial.
