Por Mateus Graosque Mendes, psicólogo do SINJUSC
Falar de saúde não é simplesmente imaginar uma pessoa saudável, entendida como alguém que goza da ausência de doenças. Essa definição, apesar de restrita, ainda é muito presente no senso comum, mas é insuficiente para dar conta da experiência concreta de vida e de trabalho da maioria da população brasileira. Para nós, do movimento sindical, saúde é algo muito mais amplo e diz respeito à relação que o sujeito estabelece com o meio que habita, com o lugar que ocupa na sociedade de classes e com as condições materiais reais que lhe são oferecidas para viver com dignidade.
Pensar em saúde é pensar em condições de existência. É olhar para as possibilidades e limites que uma determinada sociedade impõe aos trabalhadores e de compreender se essa sociedade é capaz de garantir às pessoas os meios necessários para exercer sua vida de forma plena, com autonomia, reconhecimento e participação democrática.
Nesse sentido, para quem adota um conceito ampliado de saúde, ela não começa na consulta médica e tampouco termina no atestado. A saúde começa muito antes, nas condições básicas de vida: no acesso ao saneamento, à moradia adequada, à educação, ao trabalho e à renda. Começa na possibilidade de se alimentar bem, de descansar, de se deslocar com segurança, de ter acesso à bens e serviços públicos, de ter expectativas e de poder planejar o amanhã.
É nesse ponto que o trabalho ocupa um lugar central. Ele não é apenas o espaço onde se busca o sustento ou de onde se retira o dinheiro para pagar as contas, o trabalho organiza o tempo, impõe ritmos, define jornadas e atravessa profundamente a vida psíquica dos trabalhadores. O trabalho, em última instância, organiza a nossa subjetividade.
Quando o trabalho é marcado pela precarização, pelo excesso de controle, por metas inalcançáveis, pela insegurança e pelo medo constante da perda do emprego, ou da perseguição, ele deixa de ser apenas uma atividade produtiva e passa a ser um poderoso produtor de sofrimento. Um sofrimento que nem sempre aparece imediatamente como doença, mas que se manifesta como cansaço crônico, ansiedade, insônia, irritabilidade, e perda da capacidade de sentir prazer em levar a vida.
Portanto, é impossível desvincular a saúde das estruturas que sustentam a vida cotidiana. O adoecimento não é um fracasso da subjetividade individual de um trabalhador ou de uma trabalhadora, ela é o reflexo direto das condições em que trabalhamos, mas também de como vivemos e de quais direitos nos são garantidos. Reduzir o esgotamento a uma incapacidade de adaptação é uma forma de violência, é transferir ao trabalhador a culpa por um colapso que é na verdade, social. Não há bem-estar possível onde o direito à vida plena é substituído pela mera sobrevivência. Cuidar da saúde é, portanto, um ato político e exige transformar o trabalho em espaço saudável e de realização e a vida em um território de direitos assegurados.

Sem falar do salário não condizente com as funções, da disfunção, infelizmente é o karma dos técnicos no tjsc , desculpas como vocês são muitos, mas vamos nomear centenas de analistas no lugar de vocês… a matemática fecha? Não. Injustiça adoece qualquer servidor aos poucos no dia a dia.