No dia 30 de abril, o Centro de Florianópolis foi palco de uma mobilização que colocou em destaque uma pauta cada vez mais urgente: o direito ao tempo de vida. Em meio a manifestações culturais e à participação de diversas categorias, o Ato Show reforçou a necessidade de repensar o lugar do trabalho no cotidiano das pessoas e colocou no centro do debate a luta pelo fim da escala 6×1, atualmente em discussão no Congresso Nacional.
Nesse contexto, mais do que uma reivindicação pontual, o ato evidenciou que a luta por menos trabalho é, na verdade, uma luta por mais tempo: tempo para descansar, para conviver, para estudar, para cuidar da saúde e para sonhar.
A estudante de doutorado Milena Martins destacou que a sobrecarga vai muito além do horário formal de trabalho: “não é tempo de descanso, é tempo de continuar o trabalho que a gente não consegue fazer durante a jornada fixa”. Para ela, a redução da jornada significaria mais qualidade de vida: “eu poderia cuidar muito mais da minha saúde física, mental, ter mais tempo pra lazer, interações sociais, cuidado da minha família”.
A médica Thaís Lori Sponda também reforçou a importância da pauta ao afirmar: “tô hoje aqui apoiando o ato pelo fim da escala 6 por 1, pra mais dignidade pro trabalhador”, destacando que a mudança é essencial “pras pessoas terem mais tempo pra se construir, pra ter saúde e qualidade de vida”.
Entre os jovens trabalhadores, o impacto é ainda mais profundo. Fabrício Marques Almeida relatou como a rotina exaustiva compromete projetos de vida: “quando caem nessa escala não tem a possibilidade de sonhar”. Ele conta que não conseguia conciliar trabalho e estudos: “eu não conseguia manter minhas agendas básicas, nem minha faculdade em si. Eu não podia sonhar”, e que só conseguiu retomar seus planos ao sair desse modelo de jornada: “consegui um trabalho fora dessa escala e consegui a possibilidade de sonhar novamente com o futuro”.
A presidenta do SINJUSC, Carolina Rodrigues Costa, destacou que a redução da jornada é uma pauta estratégica da classe trabalhadora e depende da mobilização coletiva para avançar: “em um cenário de intensificação das jornadas, defender essa pauta é afirmar que o trabalho não pode ocupar todo o espaço da existência”.
O debate sobre a redução da jornada representa um passo importante nessa direção, mas sua conquista depende da força coletiva. Nesse sentido, a pressão social é decisiva para avançar na aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional. É fundamental que trabalhadoras e trabalhadores acompanhem esse debate, ouçam seus sindicatos e se mobilizem em suas cidades.