O fortalecimento da ética, da integridade e das relações humanas no ambiente de trabalho foi o centro das discussões do evento “Ética em Dia – Integridade e Cultura Organizacional no Serviço Público”, realizado no último dia 8 de maio, em alusão ao Dia Nacional da Ética, celebrado em 2 de maio.
Promovida pela Comissão de Ética e Conduta do Tribunal de Justiça de Santa Catarina em parceria com a Academia Judicial, a iniciativa reuniu trabalhadores(as) e especialistas na temática em torno da construção de um ambiente de trabalho mais respeitoso, seguro e livre de assédio e discriminação.
Durante a mesa de abertura, a presidenta do SINJUSC, Carolina Rodrigues Costa, destacou a necessidade de repensar as relações de trabalho diante das transformações tecnológicas e do crescente isolamento. “Precisamos discutir uma organização do trabalho que esteja conectada a esse tempo, pois, quando nos afundamos nos computadores e celulares, vai se perdendo o processo de humanização. Os trabalhadores e as trabalhadoras ficam mais individualistas e o debate ético se perde, reforçou Carolina”.
A abertura foi coordenada por Haydée Fernanda Loppnow, integrante do Coletivo Valente, presidenta da Comissão de Ética e Conduta e assessora de gabinete no Fórum de Tijucas. Em sua fala, Haydee ressaltou o caráter democrático da comissão, atualmente composta por nove 14 trabalhadores(as) eleitos pelos próprios colegas. Segundo ela, esse formato garante pluralidade e fortalece a legitimidade das ações desenvolvidas pelo grupo dentro do Tribunal de Justiça.
Ainda na mesa de abertura a trabalhadora Alessandra Ludwig, também integrante do Coletivo Valente e membra titular da Comissão de Ética e Conduta do PJSC – lotada na Comarca de Ibirama, destaca que o evento foi de grande importância para o fortalecimento da consciência ética institucional. “Os debates foram enriquecedores, atuais e contribuíram de forma significativa para reflexões sobre a conduta profissional no serviço público”, coloca Alessandra.
Já no período da tarde, a discussão ganhou novos contornos ao abordar as desigualdades estruturais presentes na sociedade e seus impactos no ambiente institucional. A mesa, presidida por Wagner Padilha, Diretor do SINJUSC e integrante do Coletivo de Negras e Negros, contou com a participação da também Diretora do Sinjusc e assistente social do PJSC, Ellen Caroline Pereira.
Ao apresentar o tema “Ética e Marcadores Sociais”, Ellen trouxe para o debate questões relacionadas à raça/etnia, gênero-patriarcado e classe social como elementos centrais para a construção de uma ética efetivamente inclusiva.
“Se fala das cotas para pessoas negras, mas não se fala das cotas de terras que as pessoas brancas imigrantes da europa receberam. Claro que vindas de uma situação de miserabilidade, refugiados de guerra, mas receberam cotas, sim. Enquanto as pessoas negras, que foram massacradas pelo escravismo, nunca receberam nada”, pontuou.
A diretora do SINJUSC também defendeu que o avanço das políticas de ética e conduta depende do enfrentamento das desigualdades históricas. “Se quisermos, de fato, avançar nesse trabalho lindo que os companheiros e companheiras criaram nesse comitê de ética e conduta, a gente precisa questionar, sobretudo, esses recortes de desigualdade de gênero-patriarcado, raça/etnia e classe social”, reafirmou Ellen.
O evento reforçou a importância de uma cultura organizacional baseada no respeito, na escuta e na valorização das diferenças, colocando a ética não apenas como norma institucional, mas como prática cotidiana de transformação do trabalho no serviço público.



