Organização do trabalho e estilo de gestão adoecem trabalhadores do judiciário, mostra pesquisa nacional

Organização do trabalho e estilo de gestão adoecem trabalhadores do judiciário, mostra pesquisa nacional

A Coordenação de Saúde dos Trabalhadores e Previdência da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) divulgou o resultado da Pesquisa Nacional de Saúde no Judiciário, realizada no final de 2018. Veja mais aqui.

As principais conclusões da pesquisa e da análise realizada pela equipe da doutora Ana Magnólia Mendes, da Universidade de Brasília, são de que a organização do trabalho e o estilo de gestão provocam adoecimento nos trabalhadores e trabalhadoras do judiciário.

A pesquisa será apresentada no II Seminário Nacional de Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Veja aqui. Para a Fenajud foi proposto a organização de um grupo de trabalho nacional de saúde, com representantes eleitos pela categoria dos Sindicatos presentes nos Comitês Gestores Regionais de Saúde de cada Estado, e a publicação impressa, junto com a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), da pesquisa.

Sofrimento e adoecimento

O esgotamento mental foi o principal risco apontado por quem respondeu ao questionário (76% das amostras).  Falta de sentido do trabalho (70%) e falta de reconhecimento (56,8%) também aparecem em destaque. 45% dos entrevistados afirmam que o trabalho no judiciário os coloca em baixo risco de adoecimento psicológico. Outros 16% disseram que estão submetidos a riscos altos, e 39%, a riscos médios.

As respostas quanto a possíveis danos físicos verifica que 20% executam tarefas que os colocam em nível baixo de risco. Outros 29%, porém, acreditam que suas rotinas os colocam em nível alto, e 51% afirmam estarem expostos a condições que colocam sua saúde física em risco médio.

Quanto a algum tipo de preconceito, 46,2% dos respondentes disseram ter sofrido algum no ambiente de trabalho do judiciário. Deste total, 18,5% da causa do preconceito foi por conta de seu adoecimento; outros 16, 5% afirmam que o preconceito teve origem por questões políticas; 11,7% disseram que foram ofendidos por expressões machistas. Já 5,5% dos pesquisados afirmou ter sofrido por ser gordo, enquanto 4,8% acredita que o preconceito ocorreu por conta de sua raça, e outros 6,9%, por seu credo. 1,8% afirma ter sofrido preconceito por ser homossexual e 1,1% por ser deficiente físico.

Teletrabalho

A pesquisa também perguntou sobre o teletrabalho. 4,5% dos entrevistados disseram estar em teletrabalho. Destes, apenas 24,6% afirmam trabalhar até seis horas por dia. A maioria faz jornada diária de 7 horas (32,2%), 8 horas (22,7%) ou mais de 8 horas (16,5%). O processo eletrônico, para 13,1% dos entrevistados é péssimo como ferramenta de trabalho. Para outros 38.2% é regular; 28,9% consideram uma boa ferramenta, enquanto 6,7% a acham ótima.

Outro questionamento da pesquisa também aponta que há adoecimento no judiciário: 26,3% responderam que tiveram três ou mais adoecimentos no último ano, enquanto 51,5% disse ter um ou dois episódios de adoecimentos. 22,2% disseram não terem tido nenhum adoecimento no último ano.

Universo da pesquisa

56,4% das respondentes eram mulheres. E do universo, 95,5% declararam-se heterossexuais. Quanto à cor e etnia, 62,7% disseram-se brancos, 35,1%, negros, 1,7%, amarelos, e 0,6%, indígenas.

No tocante à escolaridade, 54,9% declararam ter pós-graduação, 42,1%, superior completo, 15,2% superior incompleto, 22,4% ensino médio completo, 1,5% médio incompleto e 1,1% disseram ter apenas o Ensino Fundamental.

Do total de questionários respondidos e analisados, 41,6% disseram ocupar cargo de nível superior, 54,5% ocupam cargo de nível médio e 3,8% fundamental.

A participação por Estado na Pesquisa Nacional também foi medida, sobre o total de pesquisados equivalente a 100%. Santa Catarina teve a maior contribuição, com 26,4%, seguida da Bahia, 14,4%, Minas Gerais, 10,8%, Rio de Janeiro, 10,1%, Paraná, 6,7%, Amapá, 4,3%, Espírito Santo, 4,2%, Roraima, 4,1%, Pará, 4,1%, Goiás, 3,2%, Maranhão, 2,2%, Alagoas, 2,2%, Tocantins, 2,1%, Mato Grosso do Sul, 1,5%, Ceará, 1,0%, Sergipe, 0,7%, Rio Grande do Sul, 0,6%, São Paulo, 0,6%, Pernambuco, 0,2%, e Amazonas, com também 0,2%.

A pesquisa foi coordenada e analisada pelo Grupo de Estudos e Pesquisas e Práticas em Clínicas, Saúde e Trabalho (GEPSAT) da Universidade de Brasília (UnB), tendo sido realizada pela Fenajud e Fenajufe.

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